Atualmente, o “Quebra-bucho” é um artigo raro, quase não se faz. Não é bolo de milho nem de mandioca, mas o pai desses, “Quebra-bucho”, é “Quebra-bucho”. Mas, nas antigas, segundo meu tio João e a Tia Maria, o tal bolo era um artigo obrigatório nas festas dos santos católicos, nos tempos de Bom Jesus de Quixelô. Era assim, nessas festas montavam-se várias barracas de folhas de coqueiro, com umas mesinhas. Os bolos eram expostos nas mesas e embalados nas palhas da bananeira, as pessoas compravam, comiam e levavam para casa. No trajeto de volta, muitas vezes o bolo não chegava ao destino, já que o transporte era as pernas o lombo de cavalo, burro e jumento. O transporte que não usava capim, era raro.
As festas do Bom Jesus de Quixelô, não era pra criança. Elas ficavam em casa, e os pais na festa....imagina ai, a volta de uma festa com crianças? Para agradar os meninos, levava-se, o bolo “Quebra –bucho”. A tia Maria, conta:
_”Mamãe ia pra festa de pé, pois até animal de transporte era pra poucos, levava com ela uma toalha branca de pontas rendadas, muito bonita, pois senhoras naquela época, andavam de toalha. Na volta, ela trazia o “Quebra-bucho”, enrolado na toalha, na cabeça. A gente ficava em casa, “ ai tomara que mamãe chegue, com o Quebra-bucho”. Quando chegava dividia o bolo, a gente comia e ficava roendo as palhas de bananeira, tão cheirosa.”
Hoje o bolo, é moderno....faz –se com milho verde, margarina, fermentos, rapadura, as especiarias(cravo e canela), coco, farinhas de trigo e mandioca, da boa, mas continua sendo assado na palha de bananeira.
Hoje é dia de “Quebra-bucho”, por essas bandas, só conheço a tia Maria que faz o bolo, e que deu a esse status de iguaria moderna e exótica. Mas mantém os seus aspectos originais, de agradar a meninada e levar de volta os adultos a meninice.
Como cheira a casa ........Tomara que asse logo.
Vamos comer “Quebra –bucho”?
Calvis Duarte – Homem dos Quixelôs